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Homem é inocentado após 10 anos preso em São Paulo

out 02, 2014 ittc

Foram necessários 10 anos para que a Justiça chegasse à conclusão de que não existiam provas para condenar um jovem de 29 anos e mantê-lo preso. O servente de pedreiro e ajudante de entregas, detido em 2004 por acusação de latrocínio, ganhou a liberdade em 2014 após revisão do seu processo de condenação em São Paulo. Agora, ele diz que quer reconstruir a vida.

O homem pediu para não ter a identidade revelada e emitiu declarações através da Defensoria Pública, órgão que moveu o recurso de revisão criminal. Réu primário, o jovem havia sido condenado a 23 anos e quatro meses de prisão em decisão de 1ª instância, confirmada em 2ª instância no ano de 2006, quando não cabia mais recurso.

Os acusadores o imputavam participação em um roubo seguido de morte registrado na zona leste de São Paulo. Outras cinco pessoas fariam parte de uma quadrilha que planejou o roubo e disparou um tiro que matou o proprietário de um estabelecimento. No pedido que reabriu o caso, cujo mérito foi atendido pelo Tribunal de Justiça, a Defensoria sustentou que não existiam provas para a condenação.

Para o órgão, a condenação ocorreu em “meros indícios” apresentados durante a fase de inquérito policial e que não foram comprovados judicialmente.

– Nenhuma das quatro testemunhas-chave do processo reconheceu José como autor do crime: dois funcionários identificaram apenas três outras pessoas, que entraram na loja, e dois pedestres não reconheceram qualquer dos réus, pois os viram de costas – informou a nota do órgão.

Outro réu que respondia pelo crime e teria sido autor do disparo confirmou no processo que havia se encontrado com os demais membros da quadrilha, mas não houve menção ao homem agora inocentado.

O recurso foi movido pela defensora Maria Carolina Pereira Magalhães. Em nota, ela destacou a importância da decisão.

– Esse é um tipo muito raro de decisão, especialmente considerando-se a gravidade em abstrato do crime e a extensão da pena aplicada e mantida após recurso. É uma vitória da defesa na luta pela aplicação do devido processo legal – declarou.

Dificuldade para reconstruir a vida

À Defensoria, o homem disse ainda não ter se acostumado à vida fora da cadeia e quer agora reconstruir a sua rotina.

– Minha mente ainda não está boa aqui fora. Minha família até quer me ajudar a passar num psiquiatra. Tem coisas em que eu me perco ainda – disse. Livre, o jovem relatou já ter tirado o RG e CPF novos, e ainda busca o título de eleitor.

Em junho, o jovem deixou a Penitenciária de Flórida Paulista, unidade localizada no oeste do Estado. O presídio tem capacidade para 844 pessoas, mas abriga hoje mais que o dobro: 1.782. Antes, ele havia passado pelo Centro de Detenção Provisória de São José do Rio Preto e nas Penitenciárias de Presidente Bernardes e de Junqueirópolis, todas no interior de São Paulo.

À Defensoria, o homem relatou que na prisão passava a maior parte do tempo jogando bola, vendo televisão e no trabalho como faxineiro ou costurando bolas. O tempo era aproveitado também para a leitura de livros religiosos e de autoajuda sobre estresse e depressão. Ele cursou o ensino fundamental até a 8ª série.

Fonte: Zero Hora