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ITTC debate o perfil da mulher em situação de prisão em roda de conversa na Pastoral da Mulher Marginalizada

jul 09, 2019 ittc

Evento reuniu integrantes da Pastoral da Mulher Marginalizada para debate sobre encarceramento feminino e segurança pública com a mediação de pesquisadoras do ITTC

No dia 27 de junho, o ITTC realizou uma oficina de formação sobre encarceramento feminino com a Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM), na região da Luz. A PMM atende mulheres “em situação de prostituição”, além de atuar no enfrentamento e combate à exploração sexual e tráfico de pessoas.

A atividade ocorreu com cerca de 20 mulheres que estavam presentes na sede da PMM durante o período da tarde. Para iniciar o debate, as pesquisadoras Ágatha de Miranda e Mariana Boujikian exibiram dois vídeos produzidos pelo ITTC para debater os impactos da prisão na vida das mulheres. Com a exibição de “A política de drogas é uma questão de mulheres” e “Porque é melhor não prender Desireé” foi possível iniciar a discussão através de casos concretos e abordar qual o perfil da mulher encarcerada no Brasil. Logo após, se iniciou um debate acerca da seletividade penal e de quais mulheres são comumente criminalizadas pelo nosso sistema de justiça.

Para abordar conceitos iniciais na roda de conversa, as pesquisadoras falaram sobre como o encarceramento é um problema social complexo, parte de um sistema que trata questões de saúde pública – por exemplo, as drogas – como caso de polícia. Também procurou-se levantar a eficácia do punitivismo com questões como: a mulher que foi presa sairá de lá ressocializada como afirmam as autoridades e mais apta para conviver em sociedade? Como será sua vida após o cárcere e suas violações?

A atividade buscou construir uma reflexão sobre questionamentos diversos como “qual a saída – que não a prisão – para pessoas que cometem crimes graves?”, “o que é possível fazer para ajudar mulheres que já estão presas?”, “como fica a situação de uma mãe que dá a luz enquanto está presa?”. As integrantes do ITTC buscaram mediar a conversa de modo a desmistificar ideias punitivistas e a provocar curiosidade sobre quais saídas estão sendo pensadas para isso nos espaços que discutem e constroem ativamente a pauta do desencarceramento e justiça criminal.

A educação para cidadania e o fortalecimento do diálogo público está na missão do ITTC. A oficina de formação com a Pastoral da Mulher Marginalizada foi um importante espaço para mais mulheres se aproximarem das discussões destas pautas, como uma forma de fortalecer a presença de mulheres nos debates sobre segurança pública, sobretudo pensando na importância da educação em direitos ser um processo coletivo.