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Mães que ‘erram’ têm dupla punição

maio 16, 2014 ittc

Por  Daniella Arruda.

O Dia das Mães deste ano foi de alegria, mas também de despedida para seis mulheres que cumprem pena atualmente no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande. Em comum, todas essas detentas chegaram grávidas à prisão e tornaram-se mães já encarceradas. Hoje, elas dividem-se entre a rotina do presídio e os cuidados com os bebês, mas essa proximidade tem tempo certo para acabar — após os filhos completarem seis meses, serão entregues a familiares, responsáveis ou mesmo entregues a adoção.

Cumprindo pena no presídio Irma Zorzi por tráfico de drogas, Maria Arlete de Souza Soares, de 21 anos, mãe de David, é uma das detentas nessa situação. Segundo filho da jovem, David é fruto de uma gestação de risco, já que Maria Arlete sofre de insuficiência renal e tem diabetes.

Hoje Maria Arlete precisa fazer hemodiálise todos os dias com escolta policial. Como tem doença crônica, a defensoria pública já pediu que a detenta cumpra pena em regime domiciliar, o que permitiria que mãe e filho continuassem juntos, mas ainda não houve decisão judicial ao pedido. Realista, ela já se prepara para rever o filho somente quando entrar no regime semiaberto, o que acontecerá em março do ano que vem.

“Eu entrei (no tráfico de drogas) para ganhar dinheiro e pagar o meu tratamento de saúde e também o tratamento da minha avó, que acabou morrendo. Engravidei numa semana, fui presa na outra, só descobri que estava grávida na prisão. Quando olho para trás, eu me arrependo. Meu filho podia ter nascido na rua, convivido esses primeiros meses com o pai”, lamentou.

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Por Correio do Estado