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Representantes da Rede Internacional de Mulheres Sobreviventes do Cárcere visitam o ITTC

nov 24, 2022 ittc
Na foto estão 16 mulheres representantes da Rede Internacional e do ITTC, 8 delas em pé e 8 sentadas na frente.. Todas estão usando máscara e utilizando roupas casuais.
Da esquerda para direita da foto, fileira em pé: Eliza Donda, Júlia Gimenes, Helena Sartori, Angela Henderson, Dawn Herrington, Mabel Colman, Coletta Youngers e Gabriela Gullich. Fileira da frente: Lais Del Vecchio, Stella Chagas, Heidi Cerneka, Phirtia Silva, Denise Blanes, Cátia Kim e Claudia Cardona.

No dia 16 de novembro, recebemos no ITTC representantes de organizações internacionais que trabalham por pessoas sobreviventes do cárcere e pelo desencarceramento. Estiveram presentes Coletta Youngers, do Washington Office on Latin America – Advocacy for Human Rights in the Americas (WOLA), dos Estados Unidos; Claudia Cardona, do Mujeres Libres Colombia; Mabel Colman, da Asociación Civil de Familiares de Detenidos (ACIFAD), da Argentina; Dawn Herrington e sua companheira Angela Henderson, do National Council for Incarcerated and Formerly Incarcerated Women and Girls, dos Estados Unidos.

Após a apresentação das convidadas, cada equipe dos projetos do ITTC, teve uma responsável para falar do trabalho que tem sido feito no Instituto. O Programa Mulheres Migrantes foi representado por Eliza Donda, o programa Banco de Dados, por Phirtia Silva; a Comunicação foi apresentada por Gabriela Gullich; o Programa Gênero e Drogas, por Cátia Kim; e, por fim, o Programa Justiça sem Muros foi representado por Júlia Gimenes.

Convidadas e representantes dos projetos do ITTC fizeram uma roda de conversa para compartilhar as peculiaridades sobre o encarceramento de mulheres nos Estados Unidos, na Colômbia, na Argentina e no Brasil.

A reunião aconteceu em espanhol e teve tradução simultânea em inglês para as convidadas que não dominavam a língua. O encontro foi uma oportunidade de discutir similaridades nas políticas de encarceramento dos Estados Unidos, da Colômbia, da Argentina e do Brasil. Além disso, foram compartilhadas estratégias de reforço na luta por direitos humanos e pelo desencarceramento, um trabalho que o ITTC vem desempenhando há mais de 25 anos.

Mabel, por exemplo, contou emocionada sobre as peculiaridades do cárcere na Argentina, com foco na vivência de mulheres mães e na violação das crianças que ficam encarceradas até quatro anos depois do nascimento.

O motivo da visita das ativistas ao Brasil foi o II Seminário Internacional da Amparar, que aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de novembro de 2022, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP. O evento cujo mote era “tecer redes globais pelo fim das prisões”, teve  o objetivo de construir o debate sobre a questão prisional a partir da perspectiva de familiares de pessoas presas. A Amparar é um coletivo de mães, familiares, amigos(as)(es) de pessoas presas e sobreviventes do sistema penitenciário e socioeducativo e também parceira do ITTC.

Na foto, uma imagem do Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da imagem, Cátia Kim, uma pessoa amarela falando ao lado de um slide contextualizando sua fala escrito "Mesa 2: o impacto da política prisional na vida das filhes de pessoas presas e sobreviventes do cárcere.""
Mesa sobre o impacto prisional na vida de filhos(as) de pessoas presas e sobreviventes do cárcere com participação de Markinhus Souza, Barbara Lourenço, Cátia Kim, Nathiele Rodrigues e Laura Vargas (da esquerda para direita da foto)

A pesquisadora do Programa Gênero e Drogas do ITTC, Cátia Kim, foi uma das organizadoras do evento e a mediadora da mesa “O Impacto da política prisional na vida de filhas(os)(es) de pessoas presas e sobreviventes do cárcere”. Laura Cardona, que é filha de Claudia, uma das presentes na visita do ITTC, estava entre as participantes da mesa. Laura destacou na sua fala sobre a responsabilidade que o Estado deveria ter pelo que as associações estão fazendo, como atendimento psicossocial aos filhos e filhas de pessoas encarceradas e sobreviventes do cárcere. 

A pesquisadora do Projeto Justiça Sem Muros do ITTC, Juliane Arcanjo, que também é voluntária da na Amparar, foi facilitadora da oficina “Caminhos no Sistema de Justiça: Conquistas e Ameaças” em conjunto com o GAJOP e o Instituto Pró Bono. Estiveram presentes por volta de 20 pessoas, a quem foi proposto um jogo que as convidava a uma reflexão sobre cada etapa do caminho no sistema de justiça percorrido por uma mulher negra e transexual, por um jovem negro periférico e por um jovem branco. O objetivo era evidenciar que, a depender do perfil, o sistema de justiça, da prisão até o julgamento, vai tratar cada acusado de forma desigual, com interferências de racismo, sexismo e outras violências.